quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Após ataque, ex-paquito luta para reconstruir sua casa no Níger


Há duas semanas o brasileiro Alexandre Canhoni, mais conhecido no passado como o paquito Xand do “Xou da Xuxa”, teve sua casa destruída no Níger depois de uma manifestação de muçulmanos contra as charges que mostram o profeta Maomé publicadas pelo jornal francês “Charlie Hebdo”. Hoje, ainda refugiado na casa de amigos, ele luta para reconstruir seu lar e local de trabalho, em que atendia 250 crianças diariamente.Os ataques tiveram como alvo instituições cristãs. No total, os manifestantes saquearam e incendiaram 45 igrejas, entre elas, duas brasileiras, além de cinco hotéis, 36 bares, um orfanato e uma escola cristã. Cinco pessoas morreram, 128 ficaram feridas e 189 foram detidas nas manifestações.
Canhoni, que mora no país desde 2001 e desenvolve trabalhos humanitários com crianças na organização evangélica Guerreiros de Deus, contou ao G1 como está fazendo para reerguer a casa. "Conseguimos um pouco de ajuda, mas está tudo detonado. Literalmente, nós perdemos tudo: geladeira, fogão, panelas, mesa, cadeira, coisas de escritório, cama, roupas. A casa está vazia. Abalaram as estruturas, como paredes, grades, portões, cercas de segurança. Entraram com picareta rasgando tudo", diz.
Momento delicado O ex-paquito recebe a ajuda de moradores locais para limpar os destroços que ficaram no terreno. "A gente está em mutirão retirando os restos das coisas", afirma. Até agora, conseguiram fazer parte da limpeza e refazer algumas colunas do imóvel. Ele tem a guarda de 17 jovens, que também o ajudam no processo."A gente está aguardando ajuda, ofertas, pessoas que podem contribuir", afirma. Desde a destruição, a Guerreiros de Deus faz campanha em seu site para arrecadar verbas e viabilizar a reconstrução. Diante de tamanha destruição, Canhoni conta que não pensa em deixar o país. "A gente está num momento bem delicado. Mas uma coisa é certa, o que que nós temos a ver com a charge que aconteceu lá em Paris? Quer dizer, isso é independente de religião, é a questão do bom senso do ser humano, de a gente continuar a dar comida para essas crianças que são subnutridas. Essa é a nossa vontade", diz  "Eu não vim pra cá para aventurar. Estou aqui há 14 anos. Se eu quisesse ficar rico eu não estava aqui. A gente cuida de cerca de 2 mil crianças aqui no Níger, o ultimo IDH do planeta. E eu decidi vir pra cá exatamente pra ajudar o país mais pobre do mundo. Como posso deixar minhas coisas aqui e essas crianças que dependem de nós?". Segundo ranking de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) elaborado pela ONU, o Níger é o país com menor índice do mundo. Canhoni  desenvolve trabalhos humanitários com crianças ao lado da mulher e outros quatro brasileiros. Um dos projetos da organização, que oferece refeições a crianças da capital Niamey, tem base no quintal de sua casa. Em todo o Níger são 1.200 refeições oferecidas, conta Canhoni. O trabalho é voluntário e conta com a ajuda de cerca de 90 pessoas. A Guerreiros de Deus também atende a população local em um centro esportivo, quatro creches e duas escolas de costura. No último dia 20, Canhoni contou ao G1 que se preparava para o almoço, por volta das 13h do dia 17 de janeiro, um sábado, quando ouviu gritos e, do segundo andar de sua casa, viu fumaça saindo de outras casas e templos que estavam sendo queimados, além de manifestantes com pedaços de pau se aproximando.  Em vídeo, o ex-paquito mostrou a destruição do local e explica que ouviu os manifestantes gritarem “casa do Alex” quando se dirigiam a ela. Ele diz que é conhecido em Niamey por seu trabalho humanitário. “Nós estamos aqui há muitos anos. Todo mundo me conhece, sabe que somos cristãos. Aqui eles me conhecem não por ser ex-paquito da Xuxa, pelos filmes, de cantar e dançar. Aqui eles nos conhecem como um casal de brancos que chegou em 2001 e começou a ajudar as pessoas”, disse. Antes que os manifestantes atingissem sua casa, ele e sua mulher conseguiram fugir para se abrigar na casa de um amigo. Voltaram no dia seguinte, para ver o estado em que ficou o seu lar. “Foi afetado tudo. Desde panela e prato, levaram tudo. Saquearam, quebraram, queimaram, roubaram. Foi bem difícil para a gente voltar e dar uma olhada. Foi bem triste”, diz. A casa está sem luz e sem água e as janelas e o portão estão quebrados. Ninguém da organização ficou ferido.

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